Eu, em novembro de 2008.

Eu, em novembro de 2008.
COMO SONHAR NUM MUNDO EM QUE O MITO SE CONVERTEU NA DETERIORAÇÃO DO IDEAL?

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Norma Couto do Carmo (01-04-1930_18-02-2009)



Meus avós ÁLVARO JULIÃO e NORMA, em 1972. Norma Couto do Carmo, uma das mulheres mais exuberantes que conheci, linda, nobre e de grande requinte. Uma força e um poder indescritíveis. Minha saudade, meu Amor...


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Poema sem leitor

        Recebi um telefonema certa vez, , há uns vinte anos. 
        Antes de atender sabia que era para mim, não que eu esperasse , pois naquele tempo talvez eu não soubesse o que fosse espera;
       Como saber o que fosse entendido por espera se a infância é uma espera compromissada com a possibilidade de uma outra espera, que seu lugar é justamente o da esperança!
       Não à espera, não à esperança: não sei porque pus essas crases que amadureceriam o que existe para o bom momento.
       Sim, os maus momentos são bons na infância, tudo presente na ¨maturidade¨,  essa que chama para si a Utopia da Memória de Dias Felizes e o sucedâneo do infactível domínio do ritmo das coisas;
      
       Recebi um telefonema e era ele, não era ela;
       Mas cadê esses dois, ele a possibilidade de saber e de aprender, e aprender muito, sobretudo aprender que aprendendo estamos arquitetando o diabólico crescer para dentro; não esse aprendizado nem aquele outro, mas o dele.
      Ela pegou-me para si e fez a mágica de mostrar um sorriso e um olhar tão doce,         (era isso ou aquilo?) 
      Era o que eu não diria por não saber dizer assim
      O pudor, há também o pudor;

      Ela me segurava a mão, e firme, e protegia
      ( o medo faz de nós nossos piores inimigos e nossos melhores amigos: o Medo é a  possibilidade de uma coexistência que no fim gera um desejo que acaba com a gente)
     Ela conseguiu a importância de retirar o Medo de uma vida,
     (Ela disse uma coisa, você se lembra?)
    Havia tanta, tanta gente e antes do Medo surgir como tal (pois ele é a nossa existência falida dos anos da consciência de que medo é diferente de Medo) 
     Eu ouvi e ouço até agora, foi a frase que criou Humanidade no que entendo como meu corpo
      Vou tentar,
      Não consigo

      ¨Segure minhas mãos que te levarei para o Paraíso¨.
      Não, foi assim: ¨Segure firme nessas mãos que você viverá sempre disso, não para ´aquilo´.
      Mentir é bom pois dá um gozo rápidíssimo, ela disse:
      ¨Segure a minha mão. Eu nunca deixarei você na mão.¨

     Aproveito pra mandar um beijo para ela. Isso é tão pouco...
     Mas, mal ou bom, o Universo criou-se e você deixou seu cetro. 
     O cansaço foi tão grande!
     Eu percebi que tinha percebido e descoberto a Saudade.
  

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Mickey Rooney & Judy Garland (1963) - 2 of 2

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Mickey Rooney & Judy Garland (1963) - 2 of 2

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Mickey Rooney & Judy Garland (1963) - 1 of 2

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Mickey Rooney & Judy Garland (1963) - 1 of 2

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Dor

       Sobre a dor, mas que dor você sente? Essa taça de vinho vai servir para alguma coisa depois. A dor é real ou imaginária, não há diferença, ambas a conduzirão para a aniquilação. A morfina? Pararei de usá-la quando a Guerra acabar, ademais, há sempre o Câncer...sim, onde quer que eu esteja, numa primeira classe de um avião, em Nice, na cabine de um cruzeiro ou na masmorra da incredulidade que é sua visão de Sacerdote cínico, acrescento que a Boemia...sim, a auto-mutilação acontece, sua fealdade é incrível, às vezes, pode-se ter um caco de cristal nos lábios, os de cima e os de baixo, mas isso é lugar-comum. Sinto mesmo por esses dedos impotentes para ser uma pianista célebre, digo isso cínica- e pleonásticamente, pois todos os pianistas célebres são pianistas...vc inverteu as coisas e ai deu tudo errado, quis dizer que se é ou não pianista, não se pode qualificá-los em bons ou não, todo pianista é um bom pianista, assim como todo artista é um bom artista, para me fazer entender um pouco, mas quanto à celebridade, aí é algo obscuro, dê mais uma dose, pois tenho dores, aliás por que não morri ao invés de usar essa echarpe; ademais, nessa idade... sim, mesmo velha ela possuia o poder da vaidade, que a fazia uma mulher de uma boniteza austera como sua voz e aquele cigarro, sem falar na Morfina, mas ela não queria ser perdoada por suicidar-se, não queria perdão algum, apesar de ser uma beata, tinha os olhos vidrados e cantava uma canção numa voz roufenha, sim, fôra por tempo solista de um Teatro célebre, muito célebre, também não negou que dançou can-can e tango; veja, a questão do suicídio é na verdade bem simples, quero que o suicídio seja a aniquilação da metamorfose, e não me suicidarei com remédios, quer mais um cigarro? Eu sou de um tempo em que se usava broche, as mulheres da minha classe os usavam, mas quanto aos berloques...mas seu prazer?o que fazer para tirá-la do confinamento daquela velha fazenda? É melhor você usar heroína, porque tem projetos de se tornar uma. Mas, tente-me me explicar essa dor...Ouça, eu não existo há tempo, por assim dizer, não coloque a carroça na frente dos bois. Você não será nunca uma personalidade. Quanto a mim, sei que há a dor, é forte e lancinante, por vezes, sei que meu corpo já está se decompondo. Minha mente funciona, sei de datas, sei das minhas reminiscências, mas não sei nada que possa fazê-lo existir, mesmo sem dor. Qual dor?! Dor, embora haja muitos sentimentos que por covardia assim o denominamos, dor só há uma, e você descobrirá o quê. É uma questão de tempo, sempre de tempo, mas também de acordos e de moralismos que fomentam em gente o gozo de fazer inexistir um homem, uma mulher, uma criança, enfim, uma Ideologia. A dor é inominável e esse sucedâneo é mais afim à Estética que à Linguística...Mais uma dose, por favor.

Tema musical do filme Providence (música de Miklos Rozsa)

http://www.youtube.com/?v=QQOoJj7fqZs

Alain Resnais : Providence

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