Eu, em novembro de 2008.

Eu, em novembro de 2008.
COMO SONHAR NUM MUNDO EM QUE O MITO SE CONVERTEU NA DETERIORAÇÃO DO IDEAL?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Poema sem leitor

        Recebi um telefonema certa vez, , há uns vinte anos. 
        Antes de atender sabia que era para mim, não que eu esperasse , pois naquele tempo talvez eu não soubesse o que fosse espera;
       Como saber o que fosse entendido por espera se a infância é uma espera compromissada com a possibilidade de uma outra espera, que seu lugar é justamente o da esperança!
       Não à espera, não à esperança: não sei porque pus essas crases que amadureceriam o que existe para o bom momento.
       Sim, os maus momentos são bons na infância, tudo presente na ¨maturidade¨,  essa que chama para si a Utopia da Memória de Dias Felizes e o sucedâneo do infactível domínio do ritmo das coisas;
      
       Recebi um telefonema e era ele, não era ela;
       Mas cadê esses dois, ele a possibilidade de saber e de aprender, e aprender muito, sobretudo aprender que aprendendo estamos arquitetando o diabólico crescer para dentro; não esse aprendizado nem aquele outro, mas o dele.
      Ela pegou-me para si e fez a mágica de mostrar um sorriso e um olhar tão doce,         (era isso ou aquilo?) 
      Era o que eu não diria por não saber dizer assim
      O pudor, há também o pudor;

      Ela me segurava a mão, e firme, e protegia
      ( o medo faz de nós nossos piores inimigos e nossos melhores amigos: o Medo é a  possibilidade de uma coexistência que no fim gera um desejo que acaba com a gente)
     Ela conseguiu a importância de retirar o Medo de uma vida,
     (Ela disse uma coisa, você se lembra?)
    Havia tanta, tanta gente e antes do Medo surgir como tal (pois ele é a nossa existência falida dos anos da consciência de que medo é diferente de Medo) 
     Eu ouvi e ouço até agora, foi a frase que criou Humanidade no que entendo como meu corpo
      Vou tentar,
      Não consigo

      ¨Segure minhas mãos que te levarei para o Paraíso¨.
      Não, foi assim: ¨Segure firme nessas mãos que você viverá sempre disso, não para ´aquilo´.
      Mentir é bom pois dá um gozo rápidíssimo, ela disse:
      ¨Segure a minha mão. Eu nunca deixarei você na mão.¨

     Aproveito pra mandar um beijo para ela. Isso é tão pouco...
     Mas, mal ou bom, o Universo criou-se e você deixou seu cetro. 
     O cansaço foi tão grande!
     Eu percebi que tinha percebido e descoberto a Saudade.
  

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