Eu, em novembro de 2008.

Eu, em novembro de 2008.
COMO SONHAR NUM MUNDO EM QUE O MITO SE CONVERTEU NA DETERIORAÇÃO DO IDEAL?

sábado, 16 de maio de 2009

Limites

1) Reparei um homem muito admirado por grandes personalidades sonolento. Senti um tremor visceral por ter me dado conta de que naquele momento toda a ficção de sua imagem tornou-se-me repugnante. Eu vi um forte levando um soco e pensei que não só sua existência tinha sido humilhada naquele momento como a minha foi abalada tão veementemente que senti-me forte sem sê-lo. Acontece do fraco saber-se forte por pura e honesta covardia e convidar o forte à submissão moral (como numa espécie de fantasia lúcida). Quando se leva um murro dói somente depois, um tempo depois, da pancada; no momento há aniquilação, depois vergonha de saber-se si mesmo sem a bravura que sustenta a existência de grandes feitos.
Um mendigo, um preso condenado por um Homicídio, p.ex. amiude é mais feliz do que um sujeito preocupado com a vaidade. O poder de adaptar-se não é prerrogativa de qualquer um, é um apanagio de vivências miseráveis para quem assim quer ver. Fernando Pessoa escreveu em Tabacaria que há muitos loucos com suas certezas. Ele não tinha certeza alguma. O Louco sabe que não está pensando num sistema cartesianamente entendido como lógico, tem certezas que não são certezas. O louco sustenta seu processo na miragem da afirmação certa, mas sabendo, reitero, como Homem que é, que não há o Absoluto; numa personalidade dita cindida pode-se experimentar uma aura que traz toda felicidade e toda dor do microcosmo insistente do corpo, o grito da epilepsia é um dos fenômenos mais bestiais que já presenciei. Senti medo mas não seria digno para desmanchar o que não tenho consistente, que é o que eu chamaria de minha Personalidade. Suporto que a Parte nada tem que ver com o Todo, puras figuras de linguagem para suprir uma ignorância vital. O que fazer para abdicar-mos do Tempo? Isso seria Mitologia e também um contraponto de uma Nobreza decaída. Tudo são dores intensas. Abandonar-se é um ponto lúdico da Consciência da Finitude. A Crença é seu suporte bastante erudito, amiude e também seu tendão de Aquiles.

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