Eu, em novembro de 2008.

Eu, em novembro de 2008.
COMO SONHAR NUM MUNDO EM QUE O MITO SE CONVERTEU NA DETERIORAÇÃO DO IDEAL?

terça-feira, 21 de julho de 2009

Mme. Vautrin e Aliena Ivanovna

Nunca li um estudo que comparasse a contrução da personagem de Crime e Castigo, de Dostoievsky, a saber, Aliena Ivanovna, com Mme Vautrin, de O Pai Goriot, de Balzac. Provavelmente deve haver algo, Crime e Castigo dá ¨pano para manga¨, embora quase ninguém entenda a complexidade, sutileza, profundidade e a criação de um Mundo, aliás, de VÁRIOS MUNDOS simultâneos; não à maneira dos modernos ou pós-modernos, é claro, mas não é meu intento aqui avaliar uma obra da dimensão dessa.
É bem sabida minimamente por quem lê e se apaixona de imediato por Dostoievski, sua admiração por Victor Hugo, obsessivamente mencionado em várias obras do mestre russo. Dostoievski era completamente fascinado e intrigado com a magistral obra O ÙLTIMO DIA DE UM CONDENADO. Isso quem lê sabe porque ele não esconde esse entusiasmo pela psicologia de um condenado à morte. Seria escusado dizer que havia imensa identificação com sua biografia. Também é sabido, talvez por menos pessoas, de sua quase veneração pela obra LE PÈRE GORIOT, do Balzac. Isso ele escrevia na revista A Época, de que era proprietário com seu irmão. Endividado e tendo que publicar o livro na revista do rival de seu irmão, assim Dostoiévski escreveu, num tom cínico e aparentemente simplista, antecipando um enredo que seria melodramático , subestimando com razão Katkov, editor da Mensagem e o rival supracitado.
Assim, curiosamente, descreve o enredo:¨(...)un jeune homme qui est un étudiant exclu d´Université, d´origine roturière, vivant dans une extreme pauvetré. (continuo)

domingo, 19 de julho de 2009

Morto um dia a mais

Sabe, um dia desses pensei que eu não fosse mais eu. Estando na cama vi meu rosto sobre o seu ombro, talvez o vento tenha soprado muito e a noite estava fria; não sabia se era noite ou dia ou fosse o que fosse eu senti profundamente falta de mim mesmo, senti uma constricção e a notícia invadiu-me sem mais aquelas: não há jeito para uma recriação, não entendo porque dizem que se vai criando, vai-se contruindo, vai-se superando; mas a vida, essa que imagino como de sonhos e aspirações, quanto a ela não seria ingênuo de crê-la minha, pois há muito que já não existe tudo.
Por que não segui seus passos, meus passos de incrédulo. Talvez tenha descoberto um dia que a intoxicação da alma e o descascar da pele do rosto ( do rosto, da face!) eram o corolário das minhas vontades doidas de ser uma quimera, ou melhor, ser assim mesmo, para ser. Devo te dizer, sinto uma necessidade imensa de dizer que hoje fui a um lugar que seria aprazível se eu existisse, mas sem dúvidas era pitoresco, o vento gélido e uma chuva fina, bem fina e um mar cinzento. Eu sei que meu avô nadava por ali quando havia poesia em mim que já não era lá, ou antes era sim, era até ¨feliz¨, apesar de sentir medo de um dia ter medo demais. Sabe quando você não é mais você de hoje, mas o de amanhã e o de alguns anos muitos do passado. Nós seremos o tempo. Há a angústia e ela é aterradora e como a morte, para me fazer entender, despersonifica. Você nunca usou LSD, eu também não, mas o corpo pode ir se desmanchando. Meu corpo daquele dia está se desmanchando. Quando eu fui eu?
Sentados na praia pensávamos que um dia sairíamos daqui desse Inferno e eu pensava que a vida era mais fácil porque eu beijava muito e falava outras línguas e já tinha viajado, Hoje, por que essa miséria toda, meu Deus?