Nunca li um estudo que comparasse a contrução da personagem de Crime e Castigo, de Dostoievsky, a saber, Aliena Ivanovna, com Mme Vautrin, de O Pai Goriot, de Balzac. Provavelmente deve haver algo, Crime e Castigo dá ¨pano para manga¨, embora quase ninguém entenda a complexidade, sutileza, profundidade e a criação de um Mundo, aliás, de VÁRIOS MUNDOS simultâneos; não à maneira dos modernos ou pós-modernos, é claro, mas não é meu intento aqui avaliar uma obra da dimensão dessa.
É bem sabida minimamente por quem lê e se apaixona de imediato por Dostoievski, sua admiração por Victor Hugo, obsessivamente mencionado em várias obras do mestre russo. Dostoievski era completamente fascinado e intrigado com a magistral obra O ÙLTIMO DIA DE UM CONDENADO. Isso quem lê sabe porque ele não esconde esse entusiasmo pela psicologia de um condenado à morte. Seria escusado dizer que havia imensa identificação com sua biografia. Também é sabido, talvez por menos pessoas, de sua quase veneração pela obra LE PÈRE GORIOT, do Balzac. Isso ele escrevia na revista A Época, de que era proprietário com seu irmão. Endividado e tendo que publicar o livro na revista do rival de seu irmão, assim Dostoiévski escreveu, num tom cínico e aparentemente simplista, antecipando um enredo que seria melodramático , subestimando com razão Katkov, editor da Mensagem e o rival supracitado.
Assim, curiosamente, descreve o enredo:¨(...)un jeune homme qui est un étudiant exclu d´Université, d´origine roturière, vivant dans une extreme pauvetré. (continuo)

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