Eu, em novembro de 2008.

Eu, em novembro de 2008.
COMO SONHAR NUM MUNDO EM QUE O MITO SE CONVERTEU NA DETERIORAÇÃO DO IDEAL?

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

UNDERGROUND, texto do Pasquim, set. de 1970, Luiz Carlos Maciel

       Janis Joplin_ Ela tinha 27 anos. Nasceu no Texas e dizem que foi uma menina boazinha e comportada, apaixonada pelos blues negros que escutava. Começou a cantar com Big Brother and His Holding Company, um dos conjuntos de rock mais antigos de San Francisco, embora só tenha gravado em anos mais recentes, hoje está totalmente dissolvido. Os meninos tocavam por pura curtição, sem se preocupar em ganhar dinheiro, Janis gostou e se tornou sua vocalista.
       _ Por que você precisa berrar desse jeito se vc tem uma voz tão bonitinha?_ perguntou-lhe a mãe.
       _ Para fazer você sentir o que eu sinto_ respondeu Janis. [continuo depois]

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Todas as Mulheres do Mundo


Paulo José e Leila Diniz no clássico nacional 

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Brigitte Bardot, meados dos anos 60




Brigitte Bardot , música de 1978(!), do poeta e compositor Tom Zé

      Brigitte Bardot (1978)

   A Brigitte Bardot está ficando velha,
   Coitada da Brigitte Bardot, que era uma moça bonita,
   Mas agora está ficando triste e sozinha.
   A Brigitte Bardot está se desmanchando
   E os nossos sonhos querem pedir divórcio,
   No mundo inteiro têm milhões e milhões de sonhos 
   Que querem também pedir divórcio,
   E a Brigitte Bardot está ficando triste e sozinha...
   Será que algum rapaz de 20 anos vai telefonar
   Na hora exta em que ela tiver vontade de suicidar?!
   Quando a gente era pequeno,
   Pensava que quando crescesse
   Ia ser namorado da Brigitte Bardot,
   Mas a Brigitte Bardot está ficando velha, triste e sozinha,
   E aquela boca... sozinha
   E aqueles olhos... sozinha
   E aquelas costas... sozinha
   Só...zi...ahhhh...


                                              COITADA DA BRIGITTE BARDOT




OBS: Nessa época Brigitte Bardot tinha 42 anos. Agora está com 74. Tom Zé voltou a cantar essa música e as pessoas riem frenéticamente. Avaliem os videos dos anos 50 a 70 dessa mulher e vejam uma foto ou filmagem atual sua. Creio que a passagem do tempo foi extremamente ¨impiedosa¨ com o corpo, com a beleza dessa mulher. Tom Zé compôs essa música com essa letra, irreverente e polêmico como é até hoje, referindo-se mais ao ¨mito¨ Brigitte Bardot, exatamente de sua geração (Tom Zé está hoje com 72 anos e é um dos músicos mais inspirados que já conheci, no que tange à sua teatralidade, sua espontaneidade, sua sinceridade crua, suas respostas e perguntas rápidas e inteligentíssimas). Curiosamente hoje Brigitte Bardot de fato nada mais tem de parecido, sequer, com a sua beleza hipnotizante, com seu sorriso tão aberto como se com os dentes grandes, os lábios grossos, o nariz afilado e os grandes olhos verdes tivesse o Mundo a seus pés. E tinha. Nem Godard, que criou o cinema puro ou puramente intelectual, digamos, sob a denominação de Nouvelle Vague, deixou de se utilizar com muita arte a beleza (que não era só beleza, era um Universo que se descortinava num simples sorriso) da musa (no filme ¨O Desprezo¨) e de seu amigo Alain Delon( no filme ¨Nouvelle Vague¨), hoje também um homem marcado pela feiura inexorável de uma velhice decrépita num corpo, outrora tão enigmático (com algo de angelical e diabólico, esse rosto encerrava em si o cúmulo do paradoxo que se fazia no mistério da Beleza).
     Retomando, Brigitte Bardot aposentou-se naquele ano e, de fato, já tinha umas marcas de expressão a mais do que geralmente uma mulher de 42 anos tem, passando-se a se dedicar desde então a proteção de ambientes e de animais. Curiosamente uma mulher que teve o Mundo a seus pés, era a musa do cinema europeu e a fantasia de uma geração, foi tornando-se radicalmente diferente do que fora, no seu modus vivendi. Ela não só se privou do convívio com o meio artístico do mais alto naipe, como, parece, mudou seus valores, criou um moralismo quase fanático que vai de encontro com aquela liberdade que ela tanto divulgou em 3 décadas, até e principalmente com o seu corpo e com o que fazia com ele; vivia com homens gays, com lésbicas, com latinos, com as mais excêntricas personalidades também e atualmente, além de se declarar a defensora dos animais (¨de qualquer um!¨), ela cultiva um ódio inexplicável ou incompreensível por homossexuais e negros, sobretudo, ai usando a autoridade de ¨atriz¨ ela publica tal aversão, mesmo com quase duas centenas de processos que tem respondido e de outros se esquivado com desculpas incríveis como ¨esqueci-me, eu sou tão desligada, meu advogado resolverá com esse Juíz aí¨, disse ela em 2007, quando recebeu intimação para ser presa. O Processo girava em torno de uma afirmação que ela fez_ continua afirmando obsessivamente coisas semelhantes_ que ¨os gays e os pretos são o que eu chamo de um movimento islâmico que quer destruir a França.¨(!) Eu tenho dificuldades de entender isso, pelos motivos já expostos e, como muitos, dou razão ao Tom Zé ao dizer que BB está se ¨desmanchando¨. Como nota de esclarecimento acerca de um ponto, digo que por mais que possa parecer _ao menos para mim seria a explicação mais razoável dessas atitudes_ demência, a atriz recentemente falou em público (sobre animais!) e não tinha nada de demente, apesar de estar bastante debilitada até para se locomover, além da obesidade que surgiu nos últimos 2 anos. Está andando com muletas e só aparece em filmagens com a mesma roupa (calças compridas pretas, uma blusa e um casaco também pretos) e os outrora magníficos cabelos louros , atualmente grisalhos quase brancos presos sempre com um único adorno, a saber, uma flor. Algo me chamou atenção: o que restou da antiga esfinge personificada é um olho profundamente verde e uma voz de menina (mesmo que para ser usada para dizer coisas violentíssimas).
      Coitada da Brigitte Bardot.

Brigitte Bardot nos anos 60

http://www.youtube.com/?v=N42-X4Xwosg

Brigitte Bardot

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Brigitte Bardot e Alain Delon em William Wilson

http://www.youtube.com/?v=OnAO56IBZ1U


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LÚCIO CARDOSO (1912-1968), O ESCRITOR DA MISÉRIA HUMANA.


LÚCIO CARDOSO (1912-1968):

Nascido em Curvelo, MG e falecido no Rio, RJ, Lúcio Cardoso foi, em minha opinião, além do  escritor de maior acurácia e profundidade na análise da miséria e do desepero do Homem, em nossa Literatura, na criação de obras SEMPRE sombrias, místicas, noturnas e desenvolvidas em clima de pesadelo, desesperança, miséria (pessoal e social), grande ambigüidade nos gestos, atitudes e pensamentos de seus personagens, que vivem numa relação de constante VAMPIRISMO entre si. Querem devorar uns aos outros como lobos esfaimados. Ademais, foi um ímpar estudioso do comportamento das mulheres velhas e amargas e das jovens exuberantes, sendo seus personagens masculinos quase sempre auto-biográficos, ou espelhados no seu temido pai ou homens invariavelmente sádicos e perversos; sempre presentes em suas obras, tidas por muitos como góticas,tendo como temática precípua a solidão, o desespero, a paranóia e o decadentismo moral e social; são amiúde comparadas sobretudo às de Cornélio Pena e Octávio de Faria, no Brasil, e Ibsen e Dostoievski, no estrangeiro. Tem como obra capital A CRÔNICA DA CASA ASSASSINADA (1957), monumento da Literatura Brasileira, considerada por alguns críticos uma das maiores obras literárias do século XX. Não obstante, Lúcio não foi, como muitos pensam, autor de uma obra só, nos dois sentidos da expressão:Aos 19 anos já figurava entre os regionalistas dos anos 30 com seus romances MALEITA E SALGUEIRO, que escreveu muito precocemente, aos 19 e 20 anos, respectivamente, assombrando com uma maturidade ináudita num jovem daquela idade (diga-se logo que tendência que abandonou após a feitura dos 2 primeiro livros, já citados, para passar a escrever romances de cunho psicológico e intimista) , . São ainda obras de grande vulto: A LUZ NO SUBSOLO, DIAS PERDIDOS, O DESCONHECIDO, MÂOS VAZIAS, A PROFESSORA HILDA... Tudo que escreveu é repleto de trevas e escuridão, não tendo nenhuma_como Dostoiévski ainda teve com a redenção religiosa_ centelha de esperança para a desgraça inerente à existência do Homem.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Temática do sofrimento, da dor, da intoxicação, do suicídio.

Esses videos abaixo postados mostram momentos de desespero, de intoxicação por heroína e outros elementos psicolépticos. Não há apologia nem reproche aqui, a uma forma de se relacionar com o outro (fetiche, elemento fulcral da perversão; dependência _em diversas acepções do termo_ que faz por si falar bastante da psicopatia). Há gritos de dor, choros, poesia, há muita melancolia e por vezes loucura. Minha temática central será sempre a auto-mutilação, intimamente ligada a uma forma de prazer; por fim o suicídio, como se percebe, é a temática central desse blog. À medida que forem escritos, os textos serão postados. Em tudo, até na alegria pastoril há uma fuga da auto-destruição.

domingo, 25 de janeiro de 2009

'The End' Nico - Arsenal

http://www.youtube.com/?v=OuAcvwfIa_Q

'The End' Nico - Arsenal

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Entrevista com NICO (sobre assuntos ¨psicodélicos¨)

http://www.youtube.com/?v=IkEylc1-18M

NICO interview


Interessantíssima entrevista com NICO, pouco tempo antes de falecer. Mulher versada em Literatura (essa alemã falava também mais de 6 idiomas); Música; Teatro; Cinema e Drogas, muitas Drogas. ¨Há quanto tempo vc usa esses ´estímulos para a criação´[LSD e outras coisas]. Ela:¨ Creio que há uns 2000 anos...[não ri nesse momento]. (...) Ela, ainda: ¨Eu acho que todos no Mundo querem usar LSD¨. ¨Todos?¨. Ela: ¨Sim, claro(...)¨. Mulher magnífica. Grande atriz em LA Dolce Vita, seu primeiro filme (Fellini), musa dos cineastas Philippe Garrel, que tinha somente 21 anos quando fez o radical e existencial ¨La Cicatrice Interieur¨, e de Andy Wohrol, que a venerava.

Nico - Femme Fatale

http://www.youtube.com/?v=GgbxLxrr9jI

Nico - Femme Fatale

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Nico - All Tomorrows Parties

http://www.youtube.com/?v=_KiU5P4ihIQ

Nico - All Tomorrows Parties

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My only child & All That Is My Own / La cicatrice intérieure

http://www.youtube.com/?v=ClSUT3ZMiVs

My only child & All That Is My Own / La cicatrice intérieure

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Musas suicidas

      s Artistas (mulheres)que morreram (suicídio) em decorrência de abuso grave ou de overdose de drogas psicolépticas:

                  Início da lista

    1. Judy Garland: 1969
    2. Dalida: 1987
    3. Maysa: 1977 (o acidente a matou antes, na verdade)
    4. Maria Callas: 1977
    5. Elis Regina: 1986(?) (com outras drogas e álcool também)
    6. Nico (1986): (caiu de uma bicileta por ataque cardíaco)
    7. Joan Crawford (1977)
    8. Janis Joplin


sábado, 24 de janeiro de 2009

Alguns esclarecimentos

      Escrevi rapida- e levianamente o texto sobre a Maysa e portanto vou reescrevê-lo, sem pressa; quanto ao texto que escrevi em 2001 e que estou tornando público, mantenho-me fiel à postura de não retocar nada do texto, sequer uma vírgula e mesmo eventual erro de concordância ou algo do gênero, já que trata-se de um trabalho que, senão no conjunto, ao menos em algumas partes teve a felicidade de retratar bem o momento vivido por mim. Quanto às chocantes postagens de videos dessa grande Dama do desespero, a saber, Dalida, deram-me uma motivação incrível de escrever algo sobre o suicídio, o desespero e o destino trágico de vários seres nobilíssimos, quiça criando uma série de postagens que nomearei ¨momentos de desespero¨. Com isso vou seguinto com a feitura desse blog.

JE SUIS MALADE!

http://www.youtube.com/?v=sxCnKU0Gx7E

dalida -- je suis malade

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EU SOU DOENTE!!! ( JE SUIS MALADE! DALIDA)

http://www.youtube.com/?v=qqwDxOftKcM

DALIDA Je suis malade 2

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Música de Câmara (texto meu escrito em 2001)

                                        Música de Câmara (dez-2001- sem modificações)

       Algo assim, como meus olhos observando toda a fumaça fosca a seu redor, você prestes a saltar, com o nariz ligeiramente inclinado, olhos amargos, olhos condolentes.
       Minhas condolências, meu caro senhor. Ela usava algo como um /´prêt à porter`. Mergulho minha visão sobre você. Onde estará você?
       Com dois homens, de pernas abertas. Você não estaria contando estórias da carochinha.
       Peguei o ônibus na rua Conde de Bonfim. Havia uma crioula no último dia que só dizia: ¨merda, merda¨. O nome do livro era ¨Orgulho e Preconceito¨ e custara-me 1 real. Pessoas circulando, perambulando, manchando as ruas com suas sacolas, com bijouterias nos braços, com sorrisos altos. Havia uma mulher de saltos altos, me olhava, tende piedade, tende piedade, rogo-lhe, não me rogue mais pragas. Estava olhando para o poste da esquina e dizendo com o olar :¨deixe-me viver, deixe-me viver¨, sim, deixe-me sofrer mas sobretudo deixe-me viver. Sentia-me num quarto apertado e ouvia como o miado de um gato: ¨merda, merda¨.
       Prestes a saltar, sentia-se pesada como um homem, com a indiferença cerrando-lhe os lábios e os olhos. Tome-me, leve-me e sinta a umidade. Uma vagina refrescante, seu hálito de primavera, sua suavidade de verão, seria tudo muito vulgar se não fosse minha vontade, meu afã, minha volúpia sincera, tome-me e possua-me mas, por favor, depois relate tudo ao redator-chefe, suas crônicas estonteantes como uma ciranda, não, minhas idéias sempre minhas mas tresloucadas, sua sobriedade medíocre, matemática e... sou como num sonho. Quero-me agora.
       Vestia ceroulas, era ainda um pequeno e pueril rapazote.
       Mancebo, venha cá, mas que p. é essa?
       Ouvia o som da harpa como ouvia o som do cravo, ou seja, com uma imensa necessidade. Queria se apossar da mecânic do som, queria ser um marujo e sentir a vibração do oceano. Mergulharia nos sons de muitos úteros.
       Correndo por asfaltos, o carro rapidamente vencendo distâncias, eu frígido e isso se dissipando, eu incólume e isso se desvanecendo. Seria tudo uma questão de calma, de espera? Uma espera de muitos milhões de anos, senindo-se amiúde como eletrizado, como petrificado no calor de seus desejos, sim, desejo-te por um minuto apenas, ummminuto que seja o já e o instantâneo, quero afagar-te, consolo. Aperto a doçura de uma flor e milhares de momentos me percorrem o corpo. Quero algo gelatinoso como você mas algo também tão pétreo e etéreo como um cristal, passe sua pele sobre meus contornos, sugue-me.
       Sinto suas ondas distantes, oceano. Como é agora, que você não está mais aqui? A praia se distanciou alguma centena de metros. Seus peixes estão morrendo mais do que o ordinário. Deito-me com o vento, converso e palestro e vejo você sorrindo, você cantando também mas não sem muita esperança.
       [continuo depois]

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

MAYSA


   Maysa cantando What are you doing the rest of your life, de Michel Legrand.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

NINA SIMONE CANTA O AMOR INSPIRADA NA MÚSICA ¨FEELINGS¨, 1976

http://www.youtube.com/?v=mH5ZE3N8cxU

Nina Simone "Feelings" (Montreux Jazz Festival)

Nina Simone conseguiu nesse video atingir um momento em que a Arte se revela em sua plenitude, na medida em que há, do princípio ao fim, um tão grande fator PERSUASIVO em sua interpretação, ou antes uma entrega de si aos sentimento mesmo do momento, através de improvisos guiados por uma forte intenção de se expressar, e de fazê-lo, é claro, de modo honesto consigo própria, com suas doress, seu amor, seus sentimentos mais profundos de amor. Ao fingir que esquece a letra da música ela finge, de fato? Ela diz após que como regra faria como que o sentimento (feeling) de amor tentasse ser esquecido, como diz a letra (try to forget all feelings of love).Ela vive a música, mas amplia esse Universo ao criar uma performance ináudita dessa música tão tocada nos anos 60 e 70, como uma bonita balada romântica. Nina não é romântica nesse sentido, um sentido que mais se aproximaria do sentimental, mas canta um amor sofrido, coloca-o quase num lugar de ¨energética¨ (o momento em que toca com a mão esquerda e a direita vai fazendo gestos de chamado no ar é de transe, digamos. Essa maravilhosa pianista da Juilliard School tem uma técnica pianística perfeita e uma criação não menos provida de um talento e prolificidade indizíveis. Ao final ela deixa-se falar pelo sentimento de genuíno amor, um amor de que não se sabe a natureza; é bem interessante que ela troca a palavra arms por heart e afasta bem o teor original de uma melodia bonita mas simplória de exaltação a uma mulher perdida; com Nina o que importa é o amor puro, por assim dizer. Ela pára, comenta sobre como uma pessoa, uma circunstância criou uma condição para alguém compôr uma música como aquela; não se contém e termina a apresentação numa forma como nunca testemunhei semelhante. Há o momento do improviso ao piano, bem triste, ao que começa seu improviso com a Fala, após pedir ¨LET US HEAR THE CLEMENCE!¨ declamando por palavras fortes e sinceras que não importa nada que o amor prevalescerá (HEAR IN MY HEART/YOU´LL ALWAYS STAY HEAR IN MY HEART/NO MATTER WHAT A WORDS MAY SAY, YOU´LL STAY HEAR IN MY HEART/ NO MATTER WHAT A DAY,YOU´LL STAY HEAR IN MY HEART/NO MATTER WHAT THEY COMPOSE OR DO, NO MATTER WHAT THE DRUGS MAY DO, A SONGS MAY DO, A PEOPLE MAY DO/ ALWAYS SHE WILL DO TO YOU...I WILL ALWAYS HAVE MY FEELINGS, NOTHING CAN´T DESTROY IT(...). Em ¨transe¨, depois de aplaudida, solta toda sua dor num gemido, que é ao mesmo tmpo uma dedicatória ¨FOR YOU¨. Curiosamente, depois de toda essa miscelânia que forma essa obra maravilhosa que faz mais jus do que qualquer outra ao seu título, ela cria um final de teor tipicamente clássico, refiro-me ao estilo, com aqueles acordes que se encadeiam, contrapondo-se a frontalmente ao Romântico.  GENIAL, GRANDE MOMENTO NA ARTE! 

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PERGUNTAS E RESPOSTAS

1. Por que há pessoas, muitas pessoas, que vacilam no  auge do sucesso e são medianos e ¨saudáveis¨ na rotina?
R. Pessoas assim são artistas, que são doentes por ¨talento¨. O júbilo é rápido, para qualquer um que o experimente, ou seja, os artistas e sobretudo as mulheres. Após ocorre, amiude, a mutilação inicialmente do corpo até a desagregação da existência. Artista não é saudável e por conseguinte não tem um zelo que as pessoas somente belas tem; os artistas matam a si próprios por não suportarem ver o mundo com tanta realeza. Os rotineiros são saudáveis mas morrerão de câncer, sua imagem  quando bela, não possui boniteza suficiente para sustentar sequer os prazeres de um necrófilo. Essa pergunta, por conseguinte, não tem sentido verificado na vivência. Há nela o fulcro de uma grande contradição.

2. Por que os loucos choram menos e têm menos lágrimas que os não-loucos?
R. Porque os sofrimentos do louco são literalmente menos dramáticos que os daqueles não-loucos; o louco sofre por ser ele mesmo enquanto o neurótico sofre por ser vários. A lágrima é amiúde o reflexo do sofrimento, por assim dizer, do não-louco, enquanto faz parte do riso do louco; amiúde o riso de sua condição de miserável. O louco é lúcido em se tratando de miséria e os não-loucos percebem a mesmice de sentirem-se numa imagem de corpo em metamorfose ao olhar do outro.

3. O que aproxima o gênio do louco?
R. Ambos pensam o impensável. O gênio é tão genioso que tem algo de louco_ o que é uma metáfora, claro, pois em se tratando de loucura não há quantificação_ ou antes momentos de loucura. O louco produz o delírio e auto-destrói-se; o gênio também auto-destrói-se mas elabora uma lógica tão rica de sutilezas que nem todos os delírios imagináveis seriam possíveis de contruir( ¨nem todos os perfumes da Arábia tirariam o cheiro de sangue dessas mãos! Lady MacBeth, de MacBeth, Shakespeare).

Dalida - AVEC LE TEMPS (rare)

http://www.youtube.com/?v=S4-yfdAznJs

Dalida - AVEC LE TEMPS (rare)

Video que me foi hoje indicado por uma pessoa de espírito, apesar de parecer antes circunspecto que espirituoso; mas alguém com um refinado espírito artístico e senso poético. Quando assisti a esse video um Mundo descortinou-se para mim. ¨ Avec le temps, va, tout s´en va, on oublie le visage et l´on oublie la voix/ le coeur quand ça bat plus, c´est pas la peine d´aller chercher plus loin, faut laisser faire et c´est très bien, avec le temps, va, tout s´en va, l´autre qu´on adorait, qu´on charchait sous la pluie, l´autre qu´on deninait au détou d´un regard entre les mots, entre les lignes,et sous le fard d´un sermant maquillé qui sén va faire sa nuit; avec le temps, tou va s´evanouit...

INTROITUS

Há um modo de se expressar, muito peculiar de produção literária, que se situaria, quiça, entre a verborragia, a associação sonora das palavras mas que em última análise contivesse algo de uma busca, não desprovida de muita Angústia e até Desespero, por momentos de uma percepção lúcida do próprio caráter de quem produz e, principalmente, de sua visceral indignação de ente enclausuradoMuitas mentes inquietas e talentosas anseiam por dizer para o outro, custe o que custar, de sua dor de existir, e atualmente de uma forma mais dramática, algo que se aproximaria de uma coisa meio cênica, não sem uma parcela, maior ou menor, de histeria, mas também, e de forma inconteste, de paranóia. Paranóia muito mais no sentido fenomenológico do que estrutural do termo, por decerto. Essa constricção que dá na garganta que anseia ao grito, essa modorra que sufoca e o auto-enclausuramento, uma forma não distante da mutilação por se saber tão insignificante, fornecem também, de forma bem angustiante, uma sensação ininterrupta de solidão e de desterro.Viver acossado e vítima do próprio medo da aniquilação, camuflada em mentiras que pela repetição tornam-se verdades (pseudologia fantástica) é um dos maiores, talvez, infortúnios do Homem, criando o que chamamos de ¨ansiedade¨, outras vezes de obsessões e até de grandes perversidades. Muito amiúde a violência torna-se modus vivendi e modus operandi de uma arapuca contra si próprio. Há loucos que dizem que sua cabeça está esburacada, há melancólicos que dizem que não há mais nada, nem sentimentos, em sua cabeça (sentimento da falta de sentimento) e há histéricos que dizem que a cabeça JÀ ESTÀ esburacada. De uma forma ou de outra, não há mentira genuína para si, a Morte, como auto-extermínio é um fator digno de estudo: ¨O problema mais digno de ser analisado filosoficamente é o suicídio¨ (Godard).

Maria Yudina toca Liszt

                       


Encontrei um dia, na internet, essa bela e profunda música de Liszt, chamada Variações sobre um Tema de Bach. Na verdade um tema simples de uma cantata, como um cromatismo lento descendente, em que Bach compõe sobre misérias passadas por Nosso Senhor Jesus Cristo: gemer, chorar, sofrer... a partir de tão sugestivo e inspirador modo, Liszt compôs, em sua fase mística, por assim dizer, uma das peças mais próximas do que se possa ¨entender¨ como divino ou algo assim. Ademais, quem toca é a legendária pianista MARIA YUDINA (1899-1970), mulher mística e muito intelectual, além de ter como características fundamentais de suas interpretações uma robustez e grande virilidade, além da originalidade ousada, dotada de um talento portentoso e de uma personalidade dura e sofrida.