R. Pessoas assim são artistas, que são doentes por ¨talento¨. O júbilo é rápido, para qualquer um que o experimente, ou seja, os artistas e sobretudo as mulheres. Após ocorre, amiude, a mutilação inicialmente do corpo até a desagregação da existência. Artista não é saudável e por conseguinte não tem um zelo que as pessoas somente belas tem; os artistas matam a si próprios por não suportarem ver o mundo com tanta realeza. Os rotineiros são saudáveis mas morrerão de câncer, sua imagem quando bela, não possui boniteza suficiente para sustentar sequer os prazeres de um necrófilo. Essa pergunta, por conseguinte, não tem sentido verificado na vivência. Há nela o fulcro de uma grande contradição.
2. Por que os loucos choram menos e têm menos lágrimas que os não-loucos?
R. Porque os sofrimentos do louco são literalmente menos dramáticos que os daqueles não-loucos; o louco sofre por ser ele mesmo enquanto o neurótico sofre por ser vários. A lágrima é amiúde o reflexo do sofrimento, por assim dizer, do não-louco, enquanto faz parte do riso do louco; amiúde o riso de sua condição de miserável. O louco é lúcido em se tratando de miséria e os não-loucos percebem a mesmice de sentirem-se numa imagem de corpo em metamorfose ao olhar do outro.
3. O que aproxima o gênio do louco?
R. Ambos pensam o impensável. O gênio é tão genioso que tem algo de louco_ o que é uma metáfora, claro, pois em se tratando de loucura não há quantificação_ ou antes momentos de loucura. O louco produz o delírio e auto-destrói-se; o gênio também auto-destrói-se mas elabora uma lógica tão rica de sutilezas que nem todos os delírios imagináveis seriam possíveis de contruir( ¨nem todos os perfumes da Arábia tirariam o cheiro de sangue dessas mãos! Lady MacBeth, de MacBeth, Shakespeare).

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