Algo assim, como meus olhos observando toda a fumaça fosca a seu redor, você prestes a saltar, com o nariz ligeiramente inclinado, olhos amargos, olhos condolentes.
Minhas condolências, meu caro senhor. Ela usava algo como um /´prêt à porter`. Mergulho minha visão sobre você. Onde estará você?
Com dois homens, de pernas abertas. Você não estaria contando estórias da carochinha.
Peguei o ônibus na rua Conde de Bonfim. Havia uma crioula no último dia que só dizia: ¨merda, merda¨. O nome do livro era ¨Orgulho e Preconceito¨ e custara-me 1 real. Pessoas circulando, perambulando, manchando as ruas com suas sacolas, com bijouterias nos braços, com sorrisos altos. Havia uma mulher de saltos altos, me olhava, tende piedade, tende piedade, rogo-lhe, não me rogue mais pragas. Estava olhando para o poste da esquina e dizendo com o olar :¨deixe-me viver, deixe-me viver¨, sim, deixe-me sofrer mas sobretudo deixe-me viver. Sentia-me num quarto apertado e ouvia como o miado de um gato: ¨merda, merda¨.
Prestes a saltar, sentia-se pesada como um homem, com a indiferença cerrando-lhe os lábios e os olhos. Tome-me, leve-me e sinta a umidade. Uma vagina refrescante, seu hálito de primavera, sua suavidade de verão, seria tudo muito vulgar se não fosse minha vontade, meu afã, minha volúpia sincera, tome-me e possua-me mas, por favor, depois relate tudo ao redator-chefe, suas crônicas estonteantes como uma ciranda, não, minhas idéias sempre minhas mas tresloucadas, sua sobriedade medíocre, matemática e... sou como num sonho. Quero-me agora.
Vestia ceroulas, era ainda um pequeno e pueril rapazote.
Mancebo, venha cá, mas que p. é essa?
Ouvia o som da harpa como ouvia o som do cravo, ou seja, com uma imensa necessidade. Queria se apossar da mecânic do som, queria ser um marujo e sentir a vibração do oceano. Mergulharia nos sons de muitos úteros.
Correndo por asfaltos, o carro rapidamente vencendo distâncias, eu frígido e isso se dissipando, eu incólume e isso se desvanecendo. Seria tudo uma questão de calma, de espera? Uma espera de muitos milhões de anos, senindo-se amiúde como eletrizado, como petrificado no calor de seus desejos, sim, desejo-te por um minuto apenas, ummminuto que seja o já e o instantâneo, quero afagar-te, consolo. Aperto a doçura de uma flor e milhares de momentos me percorrem o corpo. Quero algo gelatinoso como você mas algo também tão pétreo e etéreo como um cristal, passe sua pele sobre meus contornos, sugue-me.
Sinto suas ondas distantes, oceano. Como é agora, que você não está mais aqui? A praia se distanciou alguma centena de metros. Seus peixes estão morrendo mais do que o ordinário. Deito-me com o vento, converso e palestro e vejo você sorrindo, você cantando também mas não sem muita esperança.
[continuo depois]

Nenhum comentário:
Postar um comentário