Há um modo de se expressar, muito peculiar de produção literária, que se situaria, quiça, entre a verborragia, a associação sonora das palavras mas que em última análise contivesse algo de uma busca, não desprovida de muita Angústia e até Desespero, por momentos de uma percepção lúcida do próprio caráter de quem produz e, principalmente, de sua visceral indignação de ente enclausuradoMuitas mentes inquietas e talentosas anseiam por dizer para o outro, custe o que custar, de sua dor de existir, e atualmente de uma forma mais dramática, algo que se aproximaria de uma coisa meio cênica, não sem uma parcela, maior ou menor, de histeria, mas também, e de forma inconteste, de paranóia. Paranóia muito mais no sentido fenomenológico do que estrutural do termo, por decerto. Essa constricção que dá na garganta que anseia ao grito, essa modorra que sufoca e o auto-enclausuramento, uma forma não distante da mutilação por se saber tão insignificante, fornecem também, de forma bem angustiante, uma sensação ininterrupta de solidão e de desterro.Viver acossado e vítima do próprio medo da aniquilação, camuflada em mentiras que pela repetição tornam-se verdades (pseudologia fantástica) é um dos maiores, talvez, infortúnios do Homem, criando o que chamamos de ¨ansiedade¨, outras vezes de obsessões e até de grandes perversidades. Muito amiúde a violência torna-se modus vivendi e modus operandi de uma arapuca contra si próprio. Há loucos que dizem que sua cabeça está esburacada, há melancólicos que dizem que não há mais nada, nem sentimentos, em sua cabeça (sentimento da falta de sentimento) e há histéricos que dizem que a cabeça JÀ ESTÀ esburacada. De uma forma ou de outra, não há mentira genuína para si, a Morte, como auto-extermínio é um fator digno de estudo: ¨O problema mais digno de ser analisado filosoficamente é o suicídio¨ (Godard).
Néstor Perlongher - Documental
Há 11 anos

esse texto tem a cara da foto "eu acabrunhado"..
ResponderExcluireu só escrevo pq sei que tudo é ficção.. estou nos textos, em todos.. mas ficcionalmente.. pq nem eu mesmo me conheço e nem saberia separar na escrita o real do ficcional...
então, solte essa angustia, essa quase paranoia sem medo.. será bom pra todos que passarem por aqui.